Já não creio na morte.
Não posso querer na morte.
Chamem-me o que quiserem, talvez louco;
pois não estou importado tão pouco.
Torno-me sadio na minha loucura, ´
na minha sadia loucura;
e corro, e escrevo um poema,
pela calada da noite,
caindo sobre mim, nu, o frio orvalho,
esperando o raiar da aurora.
Estou, simplesmente morto.
Vivo de tão morto que estou,
e escrevo um poema.
Porque só quem morre, como uma semente,
é capaz de escrever um poema.


