sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Magnólia

               

Sejamos
como algumas espécies de magnólias
que dão flor até mesmo no inverno.
Sejamos sonetos de nós mesmos,
palavra viva,
versos, poesia cantada.
Sejamos poesia,
sejamos verdadeiramente homens.
Vivamos o amor.

Amor

Na madrugada fria
e chuvosa,
imagino os coloridos campos
da estação primaveril,
o calor do verão,
as cearas,
prontas para a deifa,
o vindima das vinhas.
Uma magnolia
que dá flor durante todo ano.
Imagino, enfim, sinto o Amor. 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Sorrisos

Há olhares e sorrisos
penetrantes
que não nos matam;
vivificam-nos, inspiram-nos,
transformam-nos a vida;
pelos quais queremos
ser irrompidos.
Olhares e sorrisos
que jamais queremos
perder, seja porque motivo for.
São olhares e sorrisos
que nos fazem ter a fé de uma criança
que, sem ver, se entrega à vida,
numa maravilhosa dança;
a força de um búfalo.
São olhares e sorrisos
que, em dias de escuridão,
nos fazem enxergar a luz,
com a luz que imana
desse mesmo olhar
e desse mesmo sorriso.
Olhares e sorrisos ardentes,
calorosos, que nos enobrecem,
que fazem de nós mais Homens.
Olhares e sorrisos
que são como as estrelas;
e que jamais queremos que morram,
que desapareçam dos nossos olhares.
Olhares e sorrisos 
que nos transmitem a alegria da vida;

e, assim, são já uma parte de nós. 

Quaresma

Quero partir para o deserto,
sem estar no deserto;
sentir, escutar o silêncio,
viver a solidão;
longe dos ruídos.
No deserto,
encontro um dos maiores tesouros
que posso encontrar,
o silêncio, a solidão,
em tempo de ruído.
No deserto encontro-me,
no deserto encontro-Te,
no deserto renasço.
Em tempo de escuridão,
eu quero caminhar
na Luz e para a Luz.
Quero ser dia,
no meio da noite,
abrigo em dias
e noites de chuva,
sol no inverno,
e sombra no verão.

Vindima

Videiras podadas,
cuja raiz é o amor,
cujos seus ramos
são já carregados de belas gaipas,
prontas a serem vindimadas,
trituradas,
num relador, num lagar,
pelos nossos pés.

Ceara seca

A ceara está seca,
pronta para ceifa,
na forma pura de um verso,
que mais tarde será poesia,
será fermento.
Vejamos como quem ama;
sejamos ébrios de amor.
Sejamos, portanto, sóbrios.
Num mundo de cegos que apenas olham: 
vejamos como quem vê.
Vejamos antes muito além do horizonte. 
Vejamos, antes, como quem vê; 
e não como quem olha, 
não vendo coisa nenhuma.
Olhar e ver, não são a mesma coisa. 
Quem apenas olha não vê.
Mas quem vê, vê muito além do horizonte; 
é capaz até de conseguir observar 
os limites geográficos do universo em expansão.
Sejamos, portanto, como cegos que não o são. 
Pois esses, mesmo sendo, podem ver.
Vejamos, por isso, além do horizonte
e não olhemos apenas. 

A morte vem para todos.
Não há nada mais sublime
senão pensar na morte.
Sim, a morte que morreu.
A morte já não é morte, é vida.
Quem morre, vive.
Não vivamos, por isso,
como quem está morto.
Vivamos antes, como quem morre,
como quem vive.
Porque quem morre, vive;
e quem não morre, não vive.
Não vivamos como ébrios
que, como tal,
não possuem visão lateral.
Vivamos antes, como sóbrios,
ébrios de amor,
que possuem visão lateral. 
Quero gritar;
quero cantar;
quero dançar;
quero sangrar;
quero a vida viver.
Quero ser calor
nas frias noites do deserto.
Quero ser candeia
que não encandeia,
nas frias noites do deserto.
Quero alcançar o absoluto.