quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Desonestidade



A mentira nada mais é senão
o estado mais levado da corrupção
do ser humano
O Homem que necessita
de mentir, não
passa de um cadáver
em alto estado de composição
… talvez até não seja Homem
mas simplesmente um verme
que se alimenta de um cadáver
a fim de poder sobreviver.
É talvez alguém que vive no desespero,
devido ao erro, ao pecado
que é a desonestidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ser algo

Que adiantaria
ao homem a humana
essência,
se o Divino, não existisse?
Seriamos apenas nada.
Então somos algo

sábado, 10 de outubro de 2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Carena poesia

Palavras soltas
que, como coloridas folhas, 
ao vento, acabam por cair 
e os passeios, 
as ruas, as avenidas
acabam por colorir. 

                              ... Palavras soltas... 

que mexem com o âmago. 
Emancipação, alienação do ser..., 
jogo de palavras, sinais, sentimentos.
Ser no ser...
Completação, 
Alma aberta, desnuda, 
na simplicidade, na beleza interior,  
na essência da poetisa e do poeta.
Beleza inata, imanente, 
e transcendente ao ser. 
Carena que perfuma o horto. 



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vitória

A derrota,
na vida, nunca pode ser vista
como derrota;
mas, sim, como uma catapulta.
Porque derrotas
são as catapultas
para as grandes vitórias.

Viver

Quero morrer para a vida
terrena,  quero apenas, um dia,

viver, em plenitude, a eterna vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Todo não é o tudo

O Todo está em tudo;
e o tudo não é o Todo. 
O ser do tudo ganha vida
a partir do Ser do Todo.
Presença Divina!!!
Assim como que um quadro
tem a marca, o estilo 
do seu criador,
do seu pintor,
e o poema o estilo,
a marca, do poeta. 
O Todo não é o tudo
e o tudo não é o Todo; 
mas sim, apenas aguarela 
pintada pelo Todo; 
o Todo encontra-Se no tudo...
e a essência do tudo é obra do Todo.
Assim o tudo radica-se no Todo.

Ultimam mors rationis est


"Tudo na vida

é incerto, excepto a morte

que, por si só já morreu.

Onde estás tu ó morte,

se podemos ser eternos,

se assim quisermos?

Vai à md* morte,

pois não me consegues

roubar a vida.

Enche-te de vergonha,

tu, sim, tu que, és resultado

do escárnio, do pecado, humano,

da criação imperfeita

de Deus, que é o Homem;

mas que tende para perfeição.

O teu leito, não mais é que a, finitude

da humana razão.

Não és mais queb o berço da Vida.

Vai à md* morte;

pois jazes já vencida.

Ultimam mors rationis est."

Solidão ou isolamento



Há um grande abismo entre a solidão
que, por sua vez,
acarreta o silêncio,
e o isolamento que,
por sua vez,
nada mais é se não simplesmente refugio,
alienação da realidade.
A solidão é boa, o isolamento, não.

domingo, 27 de setembro de 2015

Autopistia do poeta


O poeta não é um fingidor;

é simplesmente

aquele que, no silêncio

se refugia, para amar,

para a sua dor sanar.

O poeta é somente,

 agente do amor;

do amor que sente,

do amor transcendente.

(A Fernando Pessoa)

sábado, 26 de setembro de 2015

Homem

Não há nada mais elevado para o Homem,

enquanto Homem, e que o faça mais Homem

que pensar e agir na vida terrena,

sempre numa perspetiva metafísica.

Abraço

O ser humano
tem necessidade do calor,
do calor
de um abraço

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sopro de Deus

Estaria preparado para tudo
se tudo o vento
não levasse; pois o vento
não mais é se não o sopro
que sai da boca de Deus

Sábio Oleiro


 

Sou feito de barro

Frágil; produzido

pela minha causa

eficiente e ao mesmo

animado, moldado,

pela Causa Primeira;

como que um vaso de argila

que é moldado

pelas mãos do Sábio Oleiro  

Água Viva


Sequioso de Ti desço até ao ribeiro.

Aí, vergo-me,  e sentindo

minhas mãos molhadas, elevo-as

até à minha boca

e sacio-me da Água Viva;

da Água Viva

que és tu.

Bendita sede!!!

Carícia



 

De vela acesa, em punho,

deambulava pela calçada

e reclinava a minha cabeça

sobre o Teu regaço.

Então, sentia

o Teu amor por mim…

Tu sorrias-me, e as lágrimas

do meu pranto enxugavas,

com Tuas mãos macias

e ternurentas

acariciando-me o meu rosto

barbudo de homem de dura cerviz.

Mudança

Deambulo calmamente pela avenida

e sento-me no centro da mesma,

no primeiro banco que encontro.

Acendo um cigarro, olho, calmamente,

em volta e apercebo-me que o vento,

violentamente sopra

e faz com que as arvores que, embelezam

esta alameda, dancem ao seu sabor e se dispam

ao ritmo do trompetista e do violinista

que, a Wintter de Vivaldi, tocam harmoniosamente ,

contrastando com a desgarrada azafama citadina;

que nada mais é senão alienação do próprio ser.

Os carros buzinam, infernalmente,

as pessoas correm, não sei se sabendo porque correm,

mas correm sem disso se aperceberem…;

então, dou uma passa e esvazio os pulmões do fumo,

encosto as minhas costas ao banco

e  pergunto-me a mim mesmo:

Ahhhh, como posso, eu, escrever,

cantar  poesia, viver, a correr?

Nada disto faz sentido;

não faz sentido correr,

pois a vida não se faz, não se vive, correndo;

vive-se amando.

Ó doce, ó calma, vida do campo

como por ti suspiro e carpido,

porque tudo, aqui, parece existir não existindo,

e se existe, não faz sentido existir; pelo menos desta forma.

Ao menos no teu meio sei que existo,

ao passo que não tenho a certeza

se existo para o outro, no meio desta demência.

(Dou mais uma passa no cigarro)

Tudo parece existir não existindo,

apenas o nada existe, no meio de, hipoteticamente,

tanto ser; que se julgam absolutistas da razão humana

e na vanguarda do pensamento;

onde impera apenas e só a demagogia

do homem que se diz filantropo

e acaba misantropo.

E assim o céu começa a chorar

e o vento cada vez mais forte a soprar.

A correria acelera-se e os vermes, ostracizados 

são esmagados

como que se não existissem;

e como que se de humanos não se tratassem

no meio de uma humanidade hipócrita que,

 nada mais é se não teofóbica.

(Nervoso apago a beata do cigarro

e deito-a ao chão e grito furioso)

 Ohhhh  que falta de humanidade

nesta humanidade que tanto apregoa

e tão pouco pratica….

Raça de víboras, raça de arte prostituída,

de plebeus que pensam não o ser

e nem plebe formam, de filocrematos!!!!!

Se vós sois humanos e artistas,

eu quero ser o mais reles e feroz dos animais,

o mais pequeno dos poetas e dos pintores,

quero ser o opróbrio

da humanidade no meio deste alvoroço,

que ao menos assim sei que serei mais humano

que alguns humanos.

Renuncio então a mim mesmo

e assim quero fugir, sei lá para onde;

mas quero fugir, para bem longe desta angústia,

quero ser verdadeiramente filantropo.

Quero fugir, fugindo!!!

Tenho esperança

na mudança.

Metanoia!!!!