sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Mudança

Deambulo calmamente pela avenida

e sento-me no centro da mesma,

no primeiro banco que encontro.

Acendo um cigarro, olho, calmamente,

em volta e apercebo-me que o vento,

violentamente sopra

e faz com que as arvores que, embelezam

esta alameda, dancem ao seu sabor e se dispam

ao ritmo do trompetista e do violinista

que, a Wintter de Vivaldi, tocam harmoniosamente ,

contrastando com a desgarrada azafama citadina;

que nada mais é senão alienação do próprio ser.

Os carros buzinam, infernalmente,

as pessoas correm, não sei se sabendo porque correm,

mas correm sem disso se aperceberem…;

então, dou uma passa e esvazio os pulmões do fumo,

encosto as minhas costas ao banco

e  pergunto-me a mim mesmo:

Ahhhh, como posso, eu, escrever,

cantar  poesia, viver, a correr?

Nada disto faz sentido;

não faz sentido correr,

pois a vida não se faz, não se vive, correndo;

vive-se amando.

Ó doce, ó calma, vida do campo

como por ti suspiro e carpido,

porque tudo, aqui, parece existir não existindo,

e se existe, não faz sentido existir; pelo menos desta forma.

Ao menos no teu meio sei que existo,

ao passo que não tenho a certeza

se existo para o outro, no meio desta demência.

(Dou mais uma passa no cigarro)

Tudo parece existir não existindo,

apenas o nada existe, no meio de, hipoteticamente,

tanto ser; que se julgam absolutistas da razão humana

e na vanguarda do pensamento;

onde impera apenas e só a demagogia

do homem que se diz filantropo

e acaba misantropo.

E assim o céu começa a chorar

e o vento cada vez mais forte a soprar.

A correria acelera-se e os vermes, ostracizados 

são esmagados

como que se não existissem;

e como que se de humanos não se tratassem

no meio de uma humanidade hipócrita que,

 nada mais é se não teofóbica.

(Nervoso apago a beata do cigarro

e deito-a ao chão e grito furioso)

 Ohhhh  que falta de humanidade

nesta humanidade que tanto apregoa

e tão pouco pratica….

Raça de víboras, raça de arte prostituída,

de plebeus que pensam não o ser

e nem plebe formam, de filocrematos!!!!!

Se vós sois humanos e artistas,

eu quero ser o mais reles e feroz dos animais,

o mais pequeno dos poetas e dos pintores,

quero ser o opróbrio

da humanidade no meio deste alvoroço,

que ao menos assim sei que serei mais humano

que alguns humanos.

Renuncio então a mim mesmo

e assim quero fugir, sei lá para onde;

mas quero fugir, para bem longe desta angústia,

quero ser verdadeiramente filantropo.

Quero fugir, fugindo!!!

Tenho esperança

na mudança.

Metanoia!!!!

 

 

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário