Deambulo calmamente pela avenida
e sento-me no centro da mesma,
no primeiro banco que encontro.
Acendo um cigarro, olho, calmamente,
em volta e apercebo-me que o vento,
violentamente sopra
e faz com que as arvores que, embelezam
esta alameda, dancem ao seu sabor e se dispam
ao ritmo do trompetista e do violinista
que, a Wintter de Vivaldi, tocam harmoniosamente ,
contrastando com a desgarrada azafama citadina;
que nada mais é senão alienação do próprio ser.
Os carros buzinam, infernalmente,
as pessoas correm, não sei se sabendo porque correm,
mas correm sem disso se aperceberem…;
então, dou uma passa e esvazio os pulmões do fumo,
encosto as minhas costas ao banco
e pergunto-me a mim mesmo:
Ahhhh, como posso, eu, escrever,
cantar poesia, viver, a correr?
Nada disto faz sentido;
não faz sentido correr,
pois a vida não se faz, não se vive, correndo;
vive-se amando.
Ó doce, ó calma, vida do campo
como por ti suspiro e carpido,
porque tudo, aqui, parece existir não existindo,
e se existe, não faz sentido existir; pelo menos desta forma.
Ao menos no teu meio sei que existo,
ao passo que não tenho a certeza
se existo para o outro, no meio desta demência.
(Dou mais uma passa no cigarro)
Tudo parece existir não existindo,
apenas o nada existe, no meio de, hipoteticamente,
tanto ser; que se julgam absolutistas da razão humana
e na vanguarda do pensamento;
onde impera apenas e só a demagogia
do homem que se diz filantropo
e acaba misantropo.
E assim o céu começa a chorar
e o vento cada vez mais forte a soprar.
A correria acelera-se e os vermes, ostracizados
são esmagados
como que se não existissem;
e como que se de humanos não se tratassem
no meio de uma humanidade hipócrita que,
nada mais é se não teofóbica.
(Nervoso apago a beata do cigarro
e deito-a ao chão e grito furioso)
Ohhhh que falta de humanidade
nesta humanidade que tanto apregoa
e tão pouco pratica….
Raça de víboras, raça de arte prostituída,
de plebeus que pensam não o ser
e nem plebe formam, de filocrematos!!!!!
Se vós sois humanos e artistas,
eu quero ser o mais reles e feroz dos animais,
o mais pequeno dos poetas e dos pintores,
quero ser o opróbrio
da humanidade no meio deste alvoroço,
que ao menos assim sei que serei mais humano
que alguns humanos.
Renuncio então a mim mesmo
e assim quero fugir, sei lá para onde;
mas quero fugir, para bem longe desta angústia,
quero ser verdadeiramente filantropo.
Quero fugir, fugindo!!!
Tenho esperança
na mudança.
Metanoia!!!!
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