domingo, 29 de dezembro de 2019

Trevo De Quatro Folhas ou Mulher

Olhar fascinante,
deslumbrante,
no qual o azul do céu
é espelhado.
Sorriso divinal, alma apaixonante,
que exala o odor a rosas.
Doce mulher, Musa;
Trevo de Quatro Folhas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Esperança

A não tem a última palavra a dizer.
Apenas a Palavra tem a última palavra da dizer.
A Palavra é o Verbo que dá sentido ao poema.
A Palavra morre, ressuscita,
                                        [recria-nos, transfigura-nos]
semeia-nos no campo que fica do outro lado
                                        [da estrada]
onde jamais murcharemos,
enquanto nos cultiva no campo que fica deste lado
                                        [da estrada]
onde morreremos.
Espero, ansiosamente, o dia em que deste lado
secarei e, semeado no campo que fica
do outro lado, abraçarei e beijarei
o Lírio, que antes de mim, feneceu
no campo que fica deste lado
                                        [da estrada].
enquanto isso, fica-me na memória o sorriso
do Lírio que no campo deste lado murcheceu.


Ao meu avô Zeferino Ribeiro pelo décimo sétimo aniversário do seu falecimento.
Paço de Sousa - Penafiel, 16 de Novembro de 2019

Morro na instância do verso,
ressuscito ma substancia do  poema.
Beijamo-nos na madrugada do silêncio;
escrevemos um poema.
É a aurora que se sobrepõe
ao lusco-fusco,
uma rosa que desabrocha em pleno inverno.
Eterno dia.

26 de Novembro de 2019

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Homem Que É Como Lugar Mal Situado


Não perguntemos ao Homem
que é "como um lugar mal situado"
                                    [Verso de Daniel Faria]
que tem as mãos  gretadas
e os pés sujos e mal cheirosos
por causa do suor do trabalho,
de onde vem e para onde vai.
Observemos, apenas,
como caminha para a Luz,
plantando o seu coração
na escarpa do dia seguinte, subindo-a,
desesperado como Agar,
no deserto,
esperando saciar a sua sede.
Observemos apenas
como sobe a escada de Jacob,
como escreve um poema.
"Sonhêmos" como ele.


sábado, 8 de junho de 2019

Labirinto

Imagem desfocada,
cores desmedidas;
um sorriso que transcende
a alma.
Labirinto de cores.

sexta-feira, 7 de junho de 2019


Completamente nu
coloco-me diante de ti.
Coro de vergonha, sem pudor da mesma.
Não precisas que te diga nada;
nem mesmo o quanto te amo,
sendo "homem infiel".
Eu sei que não precisas que to diga,
minha cânfora.
Tremo só de perceber
que os versos que possa escrever
não passam apenas de palavras,
limitadas
que escrevo.
Porque a linguagem humana é limitada.
Repulsa-me só de pensar
que um dia fui,
e talvez ainda sou, cepa seca.
Apetece-me rasgar
as minhas vestes,
com os meus olhos em lágrimas,
como um poeta apaga um verso,
quando corrige o poema.
Eu sei que não precisas que te diga nada disto;
eu sei que tu o sabes.
Eu sei que não estás aí,
mas aqui; mesmo não te vendo.
Respiro-te, sinto-te,
vejo a tua face o teu rosto em tudo;
até quando contemplo,
à noite, o universo frio
observando as quentes estrelas
vejo o brilho dos teus olhos,
o teu sorriso, e sinto o teu calor.
Pareces, ainda assim, distante
pois não te vejo. Esperando,
anciosamente, a hora de te poder ver, encontrar;
mas sei que estás aqui.

28-05-2019, Penafiel

Bruno Ribeiro
Ao olhares para mim,
meu amor,
não rasgues as tuas vestes.
Ampara antes os meus braços,
para que cansado não os baixe.
Poderei então gritar:
Liberdade!
Bebendo leite e mel.

Paço de Sousa 4-6-2019

Bruno Ribeiro

sexta-feira, 1 de março de 2019

Já Não Creio Na Morte


Já não creio na morte.
Não posso querer na morte.
Chamem-me o que quiserem, talvez louco;
pois não estou importado tão pouco.
Torno-me sadio na minha loucura, ´
na minha sadia loucura;
e corro, e escrevo um poema,
pela calada da noite,
caindo sobre mim, nu, o frio orvalho,
esperando o raiar da aurora.
Estou, simplesmente morto.
Vivo de tão morto que estou,
e escrevo um poema.
Porque só quem morre, como uma semente,
é capaz de escrever um poema.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Critica

Desligo a televisão.
Troco a posição
das minhas pernas,
leio e escrevo um poema.
Mando à merda,
a própria merda.

Agar ou Escrava de Sarah

O calor faz-se sentir,
intensamente, no deserto;
sinto-me sequioso de Ti,
como Isaac e sua mãe Agar.

Vem, sacia a minha sede,
a fim de que te possa ver,
de que te possa sentir,
de que possa amar.

Sei que  não me Deixarás
aqui, tão só, a morrer.

No Oásis vislumbrado, florirá
assim, uma rosa,
"beijada" por um Beija Flor,
que um bom odor exalará.