quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Não basta apenas olhar,
é preciso ver,
Não basta apenas ouvir,
é necessário escutar.
Escutar a brisa, a ondas do mar...
É preciso escutar o silêncio.
É preciso viver.
                                                           Místico

Em dias de escuridão,
desesperada e intensamente, a Luz.
A luz dos teus olhos;
e o contacto dos nossos corpos,
onde nos encontra-mos,
onde nos enobrecemos;
onde nos torna-mos um só.
Procuro, ardentemente,
o teu beijo,
que me desperta o libido.

domingo, 19 de novembro de 2017


                                                                    Dom António Francisco dos Santos
Era um sorriso,
do tamanho do mundo.
A bondade, não tinha limites; 
ganhando rosto visível, para nós, 
no nosso tempo.
Era o fascínio de quem sempre soube viver,
Contigo, em Ti, e por Ti.
O seu rosto
resplandecia o teu rosto.
O seu rosto, era o teu rosto,
para connosco.
As suas mãos eram sempre quentes,
e o seu era quente;
porque era cheio do teu amor;
nele cabiam o rico e o pobre,
sem qualquer diferença.
Por onde passava, 
o odor intenso a rosas
vermelhas e brancas, 
exalava.
Sentia-se, ainda, o odor
a mirra, aloés e cássia.
Eras tu nele.
Respirava-se santidade.
Eu, quando o olhava, via-Te;
e, de vela acesa,
enquanto caminhava pela calçada,
reclinava, então, a minha cabeça
sobre o Teu regaço,
o Teu manto vermelho,
de misericordia, de Amor.
Sentia, então, veementemente,
o Teu amor por mim.
Tu sorrias-me, acariciando-me,
com as Tuas mãos macias e ternurentas,
o rosto barbudo, 
de Homem de dura serviz.
Eras Tu, nele, para nós.
Foi uma Bênção Tua!

(Ao meu bispo, bispo do Porto, senhor Dom António Francisco dos Santos, recentemente falecido.)

                                                                      Encontro II

Deixa-me escutar
o timbre da tua voz;
deixa-me beijar-te;
deixa-me sentir
o calor do teu corpo,
com um abraço.
Deixa-me partir contigo.
Deixa-me amar-te.
Deixa-me ser eu em ti;
deixa-te seres tu em mim;
permite que eu e tu,
sejamos´apenas um.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

                                                                   Há deuses que matam

Há deuses que matam,
que são como rosas murchas,
na aridez do deserto,
sem Oásis;
que são como cadáveres,
em alto estado de decomposição,
que embebedam,
que manipulam,
o ser humano;
que são poesia inacabada.
Falsa liberdade!
Egoísmo morbido!
Não nos deixemos manipular,
embebedar,
decompor,
por esses deuses.
Sejamos, antes poesia acabada;
não portopoema.
não pseudopoesia.
Sejamos, para com esses deuses,
ateus "praticantes"!
Não acredito em deuses que matam.
Sejamos Homens.
Acredito, sim, "num" Deus
que vivifica,
renova,
recria,
o Homem;
que não o embriaga,
que não o manipula,
que não é como um cadáver,
em alto estado de decomposição;
que não é como uma rosa murcha,
na aridez do deserto,
mas como um botão de rosa balsâmica
em horto fértil;
que é poema acabado.
Que é Oásis!
Verdadeira Liberdade!
Sejamos, portanto, pagãos,
aos olhos dos zoombies
que, sem saberem que o são,
o são;
porque adoram, esses deuses que matam,
com o incenso, que são os seus atos,
o seu egoísmo morbido,
quotidianamente.
Sejamos, portanto, capazes
de sermos palavra,
de sermos poema acabado;
não protopoemas,
não pseudopoemas.
Sejamos rosas balsâmicas,
em horto fértil;
sejamos Primavera, Verão,
no outono e no inverno.
Sejamos poesia
e não apenas discurso,
mas também Palavra.
Porque há "um" Deus que não mata,
mas que vivifica,
o Homem.
Sejamos verdadeiramente Homens;
não apenas de palavras,
mas, e sobretudo, de palavras e atos.
Pois a vida é como as ondas do mar
que veem e vão, num instante.
Sejamos já, vivíssimos.
Não esperemos por o ainda não,
para o sermos.
Sejamos já, simplesmente, Palavra.



                                                      Encontro I
Quero partir,
sair de mim mesmo,
ao teu encontro.
Ao encontro de mim mesmo,
em ti.
Quero, simplesmente, partir contigo.

12 de Novembro de 2017

                                                                 Orgasmo

O poeta, quando escreve um poema,
cava, lavra, o silêncio;
como o agricultor, cava, lavra,
o seu campo.
E o poema escrito pelo poeta,
está para o poeta,
como está o coito
para os amantes.

Ao poeta português Daniel Faria
11 Novembro 2017